Quando eu comecei a escalar a mais de 15 anos atrás, realmente as coisas eram bem difíceis. Mesmo com toda a força de vontade, nós éramos uns malucos do interior do Paraná, treinavam em pedreira, abrindo vias e derrubando pedras para poder se divertir na parede que era única opção para um lugar desprovido de paredes.
O que para muitos pode não ser nada, pois são agraciados por um relevo totalmente propício para praticar a escalada e o montanhismo, para nós, aqui do interior do Paraná, qualquer pedacinho de falésia é uma descoberta maravilhosa. Assim, dessa forma durante muitos anos, nossa região tinha as falésias do lado brasileiro de Foz do Iguaçu, no Canion do Iguaçu, não é um parede grande, mas o visual com certeza é um dos mais belos que já vi ao se escalar. Depois vinha a Pedreira Municipal de Toledo, o CEET, e mais algumas vias em duas cachoeiras de Ouro Verde do Oeste. Município este vizinho de Toledo, que pelo seu relevo já mostrava possibilidade da existência de outras pequenas falésias.
Salto João e Maria – Setor 1
Há alguns anos, uma galera de Toledo, perguntando daqui e dali, andando por estradas rurais de Ouro Verde acabou descobrindo o Salto João e Maria, aliás, cabe aqui explicar o porque desse nome, que vem de uma homenagem ao Sr. João que foi que mostrou exatamente onde ficavam as paredes do Setor 1 lá no Salto João e Maria, aliás, um dos mais bonitos, no caso, a Dona Maria foi a mulher que comentou com o seu professor de inglês, o Jupi Schinaider que existiam em em propriedade um lugar com uma cachoeira belíssima bem alta, e tinha mais umas perto dessa mesma cachoeira. Assim, a Dona Maria, estava certa, e pela sua dica, a rapaziada acabou descobrindo o Salto, hoje com inúmeras vias, e com três setores.
Recentemente um fazendeiro vizinho do salto me deu a informação que próximo havia um vale muito bonito e fundo, onde o pessoal costuma ir pescar no barranco do rio Santa Quitéria que neste local faz uma curva bem fechada, e que ele achava que lá poderia ter alguma parede, e que até via uma parede de longe mas que nunca tinha ido lá perto por ser longe do rio.
Diante da informação comecei a procurar vestígios do local pelo Google Earth, e para a minha surpresa, a imagem do local era nítida, diferente da do salto que mal pode-se ver alguma coisa, e ao visualizar o local pelo Google já percebi que realmente havia a possibilidade de haver sim boas paredes por lá. Convidei o pessoal para a empreitada inicial, mas ninguém podia ir, todos tinham compromissos, outros já tinham marcado uma escalada, assim, resolvi ir sozinho averiguar o local calmamente.
A primeira impressão é realmente maravilhosa, a beleza do local é impressionante, o vale é lindo mesmo, já na chegada aviste a parede que o conhecido fazendeiro havia me dito, e caminhei até lá, realmente um parede legal, mas era muito pouco, sabia que poderia ter mais, atravessei todo o vale, subi pelas laterais, e fui até perto do rio Santa Quitéria, na volta, resolvi entrar um pouco no mato e logo avistei uma parede preta, pronto, caminhei de volta, fotos daqui e da li, e a certeza de que precisava mais uma investida com facão, pois tinha ido para a guerra sem armas, apenas uma máquina digital e água, mais nada, e para quem conhece nossa região, sabe que as paredes que achamos aqui são bem escondidas, dentro de matas bem fechadas, com acesso bem complicado, e é claro com muita caminhada. Assim depois de quatro horas e meia de caminhada tinha a certeza que o Vale da Santa tinha sim real possibilidade de ter boas paredes.
Esperei o próximo sábado, falei com a galera sobre a possibilidade de parede, mandei imagens do Google Earth e fotos que tirei, finalmente convenci o Ale a ir, e o Paulista que ligou de ultima hora que também estava parado e queria ir junto dar uma olhada. Sabadão de sol quente, e entramos na mata, mas dessa vez com uma estratégia diferente, a idéia era acessar por cima a possível parede que tinha avistado. Anda daqui, corta mato daqui, espinhos, o normal, e após algumas horas de caminhada, eis que acho o vestígio de parede, me penduro segurando em uma árvore e não acredito, a parede linda, bem suja mas linda.
Caminhando pelo topo na busca de achar uma brecha para descer ou o término da falésia, o que para nossa surpresa depois descobrimos ser muito grande a falésia, com pontos em torno de 20 metros e outros bem menores, mas muito lindo. Assim logo avistamos uma bela mina, alias outro ponto, o local é repleto de minas, na minha primeira busca por parede já havia achado várias delas, agora no topo, achamos uma mina que sai da terra bem no topo e via uma cascatinha, linda, logo após essa mina, achamos uma cascata seca e conseguimos descer, nossa o lugar é lindo, andamos até quase o final da parede para o lado esquerdo, mas ai acabamos voltando e resolvemos fazer toda ela até terminar caminhando para o lado direito, isso de frente para a parede, depois de boas horas caminhando achamos o fim dela, e saímos da mata, marcando a trilha de entrada provisória.
Agora é ir la novamente e marcar melhor a trilha, ver a melhor maneira de acessar e buscar mais no meio da mata, que aparentemente, guarda mais paredes escondidas, é começar o trabalho de abrir vias e marcação de trilhas.
Abaixo seguem fotos e mais dados para os interessados em conhecer o local.
Bons ventos a todos,
Victor Beal















